domingo, 5 de abril de 2009

A madrugada se vai

E eu aqui, olhando pela janela a cidade dormir. Parada como um defunto ou às vezes elétrico como um ser hiperativo. Mas gosto mesmo assim. As horas passam, o vento vem e vai. Olho para baixo e tenho náuseas, às vezes. De cima do prédio é bom, pois sinto um momentâneo distanciamento do mundo, das pessoas, da vida mesmo. Queria poder sair por aí sem ter que conviver com elas. Mas, claro, às vezes.
Enquanto isso fico aqui no meu quarto, xicará de café com leite e bolo de chocolate. Pareço até uma mulher querendo saciar a falta de sexo. Isso eu sacio sozinho, com a mão mesmo. Pra homem é tão fácil, né!
Mas o café esfria, e sou a única pessoa no mundo, acho, que adora café com leite frio. Uma delícia quando percebo café de ontem na garrafa, mesmo que pouco. Com o leite, dá pruma caneca cheia. Tenho receio quando penso que ao acabar o café com leite há um morro de açúcar no fundo. Talvez porque isso possa trazer para mim num futuro não muito distante uma bela duma diabetes. Quem se importa? Eu não. Adoro açúcar mesmo.
Só que tem dias que nem isso nem aquilo me distrai. Quer dizer, algo que fico matutando na cabeça é que me distrai de todas as outras coisas, seja no trabalho, em casa ou na diversão. Como se alguma coisa faltasse. Algum dia aprendo como parar de me dispersar por aí. Parece que viajo, sabe, e como uma folha fico plainando pelo mundo o qual nem mesmo conheço. Um mundo que nem sei se está nesse mundo onde vivemos. Talvez por isso prefira a madrugada. Tão singular, sem aquelas luzes do dia e aquelas pessoas que teimam em seguir por aí, importunando meus olhos. Penso num mundo melhor com menos pessoas, mas não sei se isso é egoísmo ou irritabilidade demais da minha parte, pois já vai fazer vinte e quatro horas que estou sem dormir.

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